sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Autobiografia Sumária..

O dia em que escrevi a minha Autobiografia Sumária.

Deixei o cigarro aceso,
a bebida derramada,
o livro aberto
e a porta fechada.

Chamei esta pequena quadra de minha autobiografia porque fala de mim, e sumária, não apenas porque sou preguiçoso, mas também porque gosto de dizer muito em poucas palavras. Nestes quatro versos, à primeira vista depreendes duas coisas. Eu fumo, eu bebo, eu leio e gosto de portas fechadas. Se realmente depreendeste isso, depreendeste tu muito bem. Eu fumo todos os dias pelo menos um cigarro. Não tenho tendências suicidas, mas as frases que encontramos nos maços de tabaco como por exemplo, "Fumar Mata" ou "Fumar provoca cancro", são de certa forma afrodisíacas para mim. Digo a mim próprio que são afrontas feitas pelo mundo, e que se quer ameaçar-me que cumpra a promessa. Sim, eu sei que fumar é extremamente prejudicial à saúde e não estou a de maneira alguma a defender quem fuma. Eu sou eu, e não quero ser levado como exemplo.
Sim, também bebo. Não bebo para esquecer. Bebo para não me lembrar. Não me lembrar do que me entristece ou dos erros que cometo. Nem que seja durante os momentos de falsa alegria, de aparente descontracção e nos momentos de agonia e literal vómito aquando da ressaca. Porque nesses momentos, não existem momentos. É o tempo a passar e nada a acontecer. Nunca sentiram que o tempo andou para trás, naquela noite em que beberam de mais? Que nalgum momento naquela noite parecia que tudo tinha passado, mas depois quando se acorda tudo volta ao normal? Pois, é por isso que bebo. Porque mesmo que volte para trás, sinto sempre que valeu a pena. Também não estou a defender quem bebe, mas neste caso específico, entendo quem o faz.
"O livro aberto". Eu gosto de ler, não tenho um género favorito. Gosto de uma boa história. Um bom enredo, boas ou más personagens, e um bom final.
E por fim a "porta fechada", atrás de uma porta fechada, está sempre um lugar seguro. Um quarto, uma casa de banho, uma dispensa. Eu gosto de portas fechadas. Portas fechadas são seguras.
Esta foi a explicação racional para o que leram. Agora posso-vos dizer que toda aquela quadra é uma metáfora. Aqueles vícios podem ser transladados para uma explicação esotérica para aquilo que queria que soubessem sobre mim, se não ora vejam. O cigarro, simboliza tudo o que de mau, perverso e mesquinho em mim existe. O facto de estar aceso, é apenas a minha consciencialização de que tudo isso em mim é real, e a esperança de que um dia se apague. A bebida derramada, são todos os erros que cometi, e que fazem parte de mim. Cada gole daquela bebida, significa um erro que tentei esquecer e que não consegui. O facto de estar derramada é que hoje sei que tenho que aprender a viver com os meus erros. E para se viver com eles é preciso que nos lembremos de os ter feito, para que não os repitamos. O livro aberto metaforiza toda a minha vontade de aprender, todo o meu intelecto e mentalidade como ferramentas para viver. E por fim a porta fechada. É uma porta e está fechada, não há nada a dizer sobre isso. Podíamos conjecturar sobre eu ser uma pessoa que não gosta de arriscar e que por isso não vou mais além no que diz respeito à minha vida. Que encontro-me sempre em situações confortáveis na minha vida, e que não tomo o passo seguinte sem saber o que está para lá daquela porta. Mas a verdade é que gosto de portas fechadas. E não há nada mais a dizer.

Este foi o dia em que escrevi a minha AutoBiografia Sumária.

2 comentários:

  1. Uma bela descrição. Gostei como não deixaste de fora os teus defeitos, e como também não exageraste nas qualidades. Essa quadra foi uma bela metáfora, para aquilo que tu és.
    Um beijo e continua com o blog, com o teu jeito para a escrita, tem "alma" para andar..

    A*

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  2. tem o atrevimento de abrir as portas sem a certeza do género de lugar k se encontra do outro lado! :)

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