sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Amor.

O dia em que me apeteceu falar de amor.

"O amor é cego."


Quem me conhece  minimamente sabe que não gosto de falar de amor. Para mim amor, é um sentimento que corrompe-nos por dentro, deixando-nos num estado aparvalhado e de inquietude tal que me parecem desnecessários para que eu enquanto pessoa, possa viver o meu dia-a-dia feliz. Mas sendo honesto, por mais vulnerável que seja a condição de um apaixonado, quando acontece parece sempre ser a melhor coisa do mundo. A pessoa alvo da nossa admiração parece perfeita e o nosso mundo parece esquecer a sua órbita habitual e começa a girar em seu torno.
Pois bem, hoje foi um dia em que me apeteceu falar de amor. A expressão mais utilizada para descrever o amor é sem dúvida "o amor é cego". Claro que todos entendemos a conotação desta frase. Claro que não esperamos que algo abstracto como é amor, seja cego. Nós pessoas amantes é que somos cegas. E somos cegas, não porque perdemos a nossa capacidade de visão, mas sim porque estamos dispostos a não ver os defeitos e falhas da pessoa amada. E a verdade é esta, muitos de nós fazemos coisas quando apaixonados, que numa situação normal não faríamos. Como esperar horas por alguém, que é óbvio que não vai aparecer. Como mandar mensagens a alguém, quando prometemos a nós próprios que não o faríamos. Como nos deixarmos mudar por alguém que obviamente não merecia. E muitos mais eram os exemplos que podíamos dar. Na realidade, todos nós já fizemos pelo menos uma destas coisas ou outras de igual valor, porque achávamos que aquela pessoa valia a pena, que era perfeita para nós, ao ponto de valer o esforço. Estávamos tão cegos que passamos por tudo isso na esperança de concretizarmos algo. É claro que existem casos em que esta exposição que os deixa vulneráveis, acaba por compensar. Encontram pessoas estáveis, que vivem para se complementar e acabam passando grande parte da sua vida juntos. Se eu acredito que as pessoas nesses casos amam-se? Acredito. Ou pelo menos acredito que elas pensam que amam e isso muitas da vezes é melhor do que amar própriamente. Amar muitas das vezes é doloroso. A vítima de abusos que ama o seu agressor. A vítima de desprezo que ama quem a despreza. E muitos são os exemplos que vos poderia dizer onde amar verdadeiramente é um perigo para nós mesmos. Já dizia a filosofia de Ricardo Reis, poderoso heterónimo de Fernando Pessoa, que amor comedido é a chave de um sucesso para uma vida livre e sem sofrimento, e sinceramente acredito que ele tivesse a sua razão. Mas como seres sentimentais como somos é nos inevitável amarmos alguém. Quer seja amor verdadeiro, quer seja a nossa crença de que é o amor verdadeiro. Precisamos passar por isso. Faz parte de nós.
Eu se fosse para definir o amor, não era cego o adjectivo que usava. Era estúpido. O amor  é estúpido. Deixa-nos estúpidos, com todas as canções que parecem a adequar-se a todos os momentos que vivemos quando estamos apaixonados. Deixa-nos estúpidos, com a lembrança de beijos e abraços dados em locais onde costumavamos estar. Deixa-nos estúpidos, quando lêmos a relêmos as mensagens que trocamos diaramente, ou as longas conversas que temos durante horas no computador que por alguma razão não conseguimos apagar, porque achamos que de alguma forma preenchem a relação que existe. Portanto imaginem alguém a ouvir músicas românticas, a ler conversas antigas e com um ar nostálgico. Essa pessoa é cega porque não vê o que está à sua frente, ou é estúpida porque finge que não vê? O amor para mim, é estúpido.
Eu não sou nenhum mal amado. Penso que podem tirar essa ideia deste texto, mas não sou. Sou alguém que tenta ver o amor pelo o seu lado racional. Não que adiante de muito, porque quer eu gosto quer não, eu já fui e ainda sou um desses apaixonados estúpidos que por aqui anda. 


Este foi o dia em que me apeteceu falar de amor.

4 comentários:

  1. Não posso deixar de concordar.

    O amor é realmente capaz de nos deixar perfeitamente ESTÚPIDOS! E verdadeiramente IRRACIONAIS.
    Na maior parte das vezes tento ver o amor pelo seu lado racional como o fizeste mas o amor terá um lado racional? Começo a crer que a resposta a esta pergunta é negativa.
    Amor, por si só, já me parece TUDO menos racional.

    Além do mais, a história de "amor comedido", para mim, não existe, quem me dera que existisse! mas eu, sou incapaz de me "comedir" no que toca ao amor.

    Nasci e julgo, irei morrer, assim!

    ResponderEliminar
  2. O amor pode ter seu lado racional,a estupidez como tudo é relativa. Mas,talvez realmente estejamos predestinados a passar por essa estupidez gostosa ou desnecessária. Eu ainda n o senti,tenho essa curiosidade, talvez assim eu poderei ter total liberdade de opinar, mas pq?foda-se,posso opinar mesmo nunca tendo amado,então lhe afirmo,o amor é útil, depende de como vc o sente,lida.Se souber manter o controle,tudo bem.E tentar ser menos tolo,talvez isso deixe sua auto imagem mais agradável.

    ResponderEliminar
  3. Ah e n poderia de lhe dizer o quanto eres inteligente, e o fato de ter escrito "crônica" com acento agudo fez da página diferente e menos clichê, permito-lhe a licença poética. Viva nossa liberdade de descrição!

    ResponderEliminar
  4. Talvez eu tenha cometido um equívoco, você eres português ou ao menos escreveu como o português... por isso o "crónica".

    ResponderEliminar

Grito